Sucedâneo de caviar; sucedâneo de pessoa; sucedâneo de homem; sucedâneo de mulher; sucedâneo de pais; sucedâneo de filhos; sucedâneo de povo; sucedâneo de políticas; sucedâneo de democracia; sucedâneo de país; sucedâneo de mundo
No site da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, coisa pertencente ao Ministério da Cultura, coisa dedicada à valorização da leitura etc etc., há um serviço chamado SAL: Serviço de Apoio à Leitura.
"Modalidades de leitura na sala de aula para os vários níveis de escolaridade
(...)
• O professor incentiva os alunos a voluntarizarem-se para prepararem a leitura de um poema, de um trecho ou de um conto para lerem em voz alta na aula."
A menos que o acordo ortográfico já tenha entrado em vigor, não encontro em nenhum dicionário de língua portuguesa o termo voluntarizado.
O voto não foi na "esperança", foi no desespero (um acto irracional).
Temos mais confiança no futuro??!! Desemprego a rodos, velhos e novos, qualificados e não qualificados, recibos verdes, retirada de direitos sociais, encerramentos compulsivos, etc, etc...Mais confiança no futuro?
O negócio das farmacêuticas assegurado. Atente-se no ar afoito do comerciante de remédios "Saudar a adopção...".
Políticas sociais para combater a exclusão. Diminuiram o fosso entre ricos e pobres. AH AH AH!!! A maioria que consegue trabalhar ganha salários na casa dos 500€, uma casa custa cerca de 500€, o pão custa 0,12€ (vai aumentar), os transportes estão mais caros, a electricidade aumentou, o subsídio para arrendamento jovem tem novos critérios completamente idealistas. Em cada esquina espreita um pedinte, gente que dorme nas ruas (loucos ou pobres), famílias enterradas em dívidas, emprego precário, desemprego a rodos (insisto). em compensação, o assessor que fez isto ganha um balúrdio, bancos lucram 300% e querem aumentar mais esta taxa (não lhes chega), salários grotescos para uns e miseráveis para o resto da população que consegue arranjar um emprego idiota - não qualificado, mal remunerado.
Pensionistas já podem pagar o café agora que têm mais 65 cêntimos (vá lá! Já não o recebem a prestações)
O CSI marca uma nova fronteira...mas o The Closer ganhou um prémio
Os Verdes têm 50% de mulheres no seu partido: é um gajo e uma gaja!
Deram computadores e net e acham que combateram per si a info exclusão.
Alargaram o horário das escolas porque os pais saem tardíssimo dos empregos precários, em compensação - e com o "enriquecimento curricular" - temos desgraçados a recibos-verdes, sem condições para exercer a sua actividade e a proporcionar actividades repetidas e vazias de sentido a crianças que deviam estar em casa a brincar e a descansar. Também os professores das duas uma: ou ficam mais uma hora à borla na escola a dar apoio aos alunos que já não têm direito a apoio - só graves deficiências físicas e mentais - ou, os que não conseguiram ser contratados andam a recibo-verde a fazer esse trabalho.
Fizeste um estágio e tiveste emprego? AH AH AH. Deves ter cunha, porque estágios não faltam e há quem tenha no seu CV uma vastidão deles sem ter emprego.
O que seria da UE sem a nossa presidência? Não teria canetas prateadas
Ouvem com atenção os portugueses??? Qualquer manifestação é absolutamente desprezada.
Justiça social e oportunidades para todos? AH AH AH. Os professores das Novas Oportunidades são pagos a recibos-verdes e consta que nada precisam de fazer: a ideia é dar mesmo o diploma.
Faltou falar de muita coisa. Faltou dizer que é proibido colocar um piercing na língua.
Quem procura ou procurou desesperadamente um emprego conhece bem as famosas técnicas para procurar e arranjar um emprego. Funcionam tão bem ou tão mal que de todas as vezes que as usei obtive a mesma taxa de sucesso de quando não as usei - zero.
"É um trabalho a tempo inteiro"; "É preciso gerir e optimizar o CV"; "Coloque apenas aquilo que é essencial para o emprego em causa"; "Mostre-se dinâmico"; "Fale no presente"; "Venda-se"; "Compre-se"...
Ora bem...nada disto funciona. O sucedâneo, dada a sua longa experiência no ramo, decidiu colocar aqui algumas estratégias igualmente boas para arranjar um emprego.
1- Encontrar um emprego Não obstante o que dizem os manuais, encontrar emprego é bastante fácil, a dificuldade é aceitá-lo e aceitar-se a si próprio a executar tamanha idiotice durante um tempo aceitável até encontrar outra coisa que se disponha a fazer.
Também a procura não necessita de ser um tempo inteiro. Ao fim de algumas leituras na net e nos jornais ganhará experiência que lhe permitirá fazer esse servicinho em part-time. As ofertas são e serão nos próximos anos SEMPRE as mesmas. Segue-se uma lista por ordem de grandeza ou grandiosidade:
Generalistas:
- Comerciais, vendedores, angariadores e "consultores" - Call-center, operador inbound, outbound, apoio a clientes, assistente pós-venda, marketing, help-desk - Operador de registo de dados, arquivo e armazém - Administrativos, recepcionistas, atendimento telefónico (pode estar inserido nas categorias anteriores, consoante se trate de vendas ou reclamações)
Requisitos Tolerar um ambiente de cortar à faca, submeter-se a escravatura, tolerar ambientes fechados e sem condições e ter actividade aberta (vulgo: um livrinho de recibos verdes). Para os primeiros de todos: ter carta e carro facilita.
Técnicos: - Técnicos de informática, informáticos - designers, web-designers, tipógrafo, impressor de offset.
Requisitos Ter um curso específico (design, informática), não alimentar esperanças de vir a desempenhar as reais funções para as quais está habilitado, aceitar a classificação de estagiário. Como designer irá fazer de paquete até às gráficas, dar acabamentos, cortar papel e ajudar nas partes mais chatas das maquetes etc. Como informático andará a dar apoio aos colegas da empresa que não conseguem ligar o computador à primeira, instalar programas básicos porque os funcionários não têm permissão para o fazer, e ligar e desligar fichas. Naturalmente que abrir actividade e ter viatura própria também terá as suas vantagens.
Educação e outras: - Professores para AEC, explicadores - Vigilante de crianças - Professores para editora multinacional (vender livros às escolas) - Animador de festas infantis
Requisitos: Possuir uma licenciatura, não se questionar sobre o sentido e o futuro da Educação em Portugal, tomar conta de crianças (até os pais chegarem do emprego precário) sob o pretexto de estar a ensinar alguma coisa a alguém, abrir actividade.
Formação própria, aceitar ser um assistente administrativo. Parece muito apelativo mas depois de ver a descrição das funções consegue descobrir a verdadeira tradução da coisa.
Coordenação e chefia - Director, coordenador, gerente, responsável...
Não tenha ilusões. Ninguém põe esses cargos assim ao alcance de um currículo: ou não é para coordenar nada de facto, ou é a pior coisa que lhe podia ter acontecido (não têm ninguém que possa ou que queira assumir o cargo??), caso contrário é o primo do tio que fica com essa função.
2- Gerir o CV Para as mais generalistas FAVOR RETIRAR O TÍTULO DE LICENCIADO, excepto se pedirem expressamente. Nesse caso, retire o tipo de habilitação, colocando apenas "licenciatura".
Para as mais técnicas: FAVOR RETIRAR A EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL, excepto se pedirem algo em concreto. Se descobrem que já foi de facto um designer ficará excluído. O que se pretende é um tipo que se veja a si mesmo como estando em início de carreira (mesmo que já tenha 10 anos de experiência em grandes empresas)
Para a Educação: FAVOR MENCIONAR QUE NÃO CONCORREU AO CONCURSO NACIONAL. Se pressentem uma nesga de desejo de vir a ser colocado não o contratam.Também aqui aja como se se tratasse de uma actividade altamente compensadora.
Para os estrangeirismos: FAVOR USAR ESTRANGEIRISMOS. Fez um vending, um compring, um gesting, etc...
Para direcção: FAVOR MENCIONAR A CUNHA. O CV deixa de ter importância e até pode enviar a factura da água, um desenho ou outro papel qualquer.
3 - A entrevista: Não há truque melhor que mostrar que está deseperado por ter um emprego a qualquer preço. Responda e aceite tudo com um sorriso entusiasmante: "Claro, adorava trabalhar aos fins-de-semana", "Não me custa nada ter folgas rotativas! Só assim poderemos assegurar que o cliente tenha um serviço 24 horas!"; "Não espero vir a enriquecer!"; "Esse sistema de recibo-verde parece-me perfeito, pois assim posso gerir melhor as minhas contas!". "Trabalho muito bem em equipa, sou excelente a cumprir ordens!"; "Adoro tomar conta de crianças: quando estou com os meus filhos/sobrinhos/priminhos não quero outra coisa!".
Mas...e à fatídica pergunta: "Quais as suas qualidades?" Não se enerve. O sucedâneo levou algum tempo a encontrar a resposta ideal, mas finalmente descobriu-a: "Sou viciado em trabalho" (responda com bastante entusiasmo, claro)
2.1 - O que vestir: Vista-se para a função que vai desempenhar. Boa apresentação sim, mas não exagere. Se estiver melhor vestido que o chefe ou o empregador estes podem desconfiar que há dentro de si alguma ideia megalómana de vir a desempenhar funções qualificadas.
4 - A carta de apresentação Os manuais sugerem que essa é a primeira impressão e que como tal deve ser apelativa. Esqueça tudo isso. Se quer apelar, apele a Deus para conseguir o emprego.
5 - Manter o emprego Se conseguiu chegar a esta fase, parabéns. Agora resta manter-se por lá até enjoar.
Não se questione: não pense no futuro, no que está a fazer, nas suas capacidades reais, no seu contributo para a sociedade. Deixe o cérebro e a personalidade à porta e aja como um autómato: execute, aperte o parafuso, sorria Não deixe de procurar outros empregos: daí a poucos meses a inteligência irá traí-lo e vir ao de cima. Mude de emprego antes que dê por si a sentir-se inútil, pobre, estúpido e sem vida.
Glossário: Aprenda o que querem dizer os palavrões usados como requisitos:
Espírito de equipa: significa que terá que aceitar ordens, calar-se e engolir sapos Dinâmico (m.q. polivalente): Prepare-se para agrafar folhas, fazer recados, vender produtos, e todo um leque de coisas interessantes Criativo: saber desenrascar-se pelos seus próprios meios quando a empresa não lhe dá as ferramentas necessárias para as funções a desempenhar (sem lesar ou cobrar nada à empresa, obviamente) Ambicioso: capaz de suportar tudo e cometer actos imorais (tirar o pão da boca de um velho reformado, pisar um colega, ser fiel aos caprichos do chefe...) com um sorriso entusiasmante de quem acredita na propagandeada evolução na carreira.
Disponibilidade para deslocações (m.q. disponibilidade para trabalhar por turnos, fora de horas, aos fins-de-semana, etc): basicamente, trata-se de ignorar que tem casa, família e vida para lá do trabalho. Nem sempre as despesas ou as horas extraordinárias são justamente pagas.
Se nada disto funcionar, não culpe o sucedâneo. É o estado do emprego em Portugal.
Anda tudo por aí a falar de sacos e sacolas e o sucedâneo não se deixa ficar atrás. Em vez de postar comentários por outras bandas e porque isto excede os caracteres permitidos, é preferível escrever o meu próprio artigo. Sim, que o sucedâneo ainda não morreu de vez e é para isto que serve.
Concordo que há muita gente que usa e abusa do saco. Concordo também que muita gente não recicla o saco e que lhe dá mau uso. Concordo ainda que se deva fazer alguma coisa para acabar com este problema ambiental.
Mas, sinceramente, cobrar pelo saco parece ser a forma mais lucrativa de resolver o problema. Em vez de se acabar de vez com o saco de plástico e substitui-lo por outro de material diferente, mantém-se tudo na mesma, mas paga-se. A quem? Para onde vai esse dinheiro? Também era importante perceber.
Em muitos supermercados onde o saco não é pago (até no Pingo Doce, antes de implementarem esta política ambiental) são os próprios funcionários - cumprindo ordens - que nos colocam um item por saco (moda nova que ainda não percebi o sentido): põem o shampoo num saco, a fruta noutro, uma garrafa noutro, etc...(é uma luta para conseguir que usem o mínimo de sacos possível!).
Imaginemos então que a coisa vai para a frente e começamos a pagar os sacos quando vamos ao Continente. Então e o uso abusivo de plástico, logo à entrada, quando nos "embalam" as compras trazidas de fora? Isso sim é um enorme desperdício. Não tem qualquer utilidade para o consumidor, não põe fim ao roubo nos supermercados e, acima de tudo, parece-me pouco lícita essa atitude (fizemos compras de forma lícita, temos sacos de outras lojas, com coisas que pagámos - produtos que muitas vezes nem há no hipermercado! -, e não têm o direito de nos assumir como suspeitos de um crime que nem sequer aconteceu!!!)
Pagar o saco é uma medida que só demonstra uma falsa preocupação com o ambiente. É o mesmo que a história dos carros: Poluem, são mal usados, são um dos grandes contributos para o aquecimento global, cancerígenos. Mas acabar com eles, nem pensar! Melhorar a rede de transportes, tornando-a acessível, eficaz e eficiente, nada! E não é por falta de meios, é por falta de coragem.
Então a solução qual é? Aumentar o imposto dos carros mais poluentes. Voltamos ao mesmo: em que é usado esse dinheiro? Em estradas esburacadas - que serão privatizadas? Em transportes públicos não é, de certeza - só se for para comprar carrinhas mais bonitinhas. Porquê assim e não de outra forma? Porque pôr fim ao negócio do petróleo está absolutamente fora de questão. É sabido por todos. Não foi esse aumento que impediu que o consumo de carros novos aumentasse, nem o preço absurdo do combustível que impediu o uso do carro.
E o saco de plástico? Segue a mesma via. Saem bilhões de sacos por dia, uns para o lixo, outros para o mar, outros andam aí ao sabor do vento. É mau! De que é feito um saquinho? Petróleo, pois claro. 8% da produção mundial de petróleo serve para o fabrico de plástico sendo que 1 tonelada de petróleo extraído produz 100 toneladas de sacos de plástico. Pode até não ser muuuito significativo, fundamental, mas é um facto. E é um facto que a solução encontrada, mais uma vez, não é substituir o tipo de material (papel reciclado, outras maradices que por aí andam), não! É cobrar uma taxa pelo dito objecto. Simbólica, dizem uns; devia ser mais, dizem outros; não devia ser nada, diz a Sonae. O preço iria do simbólico ao desmotivante. Haverá controlo nisso? Não sei. E o seu destino? Porque se uns cobram 2 cêntimos e outros 20, que contas se fazem?
Claro que as pessoas passam a estar mais despertas para o problema e podem trazer a solução de casa - desde que não levantem suspeita à porta do hipermercado e acabem com a alcofa embalada em 100 metros de plástico - mas nunca acabará de vez se não se decretar o fim do saco de plástico a sério. Porque um carro custa para cima de 30 mil euros, a gasolina mais de um euro por litro e não houve desincentivo.
E aliás, a preocupação ficou-se até a Sonae se manifestar contra. Sim senhor, afinal já não estraga o ambiente e a coisa caiu logo em saco roto.
O Estado deveria ser o primeiro a dar o exemplo do que é uma empregabilidade socialmente justa. Do que se entende por condições de emprego ou de um emprego em condições. Deveria ser o primeiro a assumir que um emprego deve ser estável, baseado num contrato válido e sólido, garantir formação adequada aos funcionários, remunerado de acordo com a vida real do país que governa, motivante, estimulante...
Mas não. Opta por nivelar por baixo. Se os privados não oferecem contratos laborais e refugiam-se nos malfadados recibos verdes, se despedem sem mais nem ontem, se fogem às contribuições fiscais (deixando isso a cargo do trabalhador "independente"), se pagam mal e a más horas, se pressionam trabalhadores efectivos pondo-os a agrafar folhas até se demitirem, se se estão marimbando para a vida pessoal, social e real do funcionário, então, o Estado também pode e deve fazê-lo. Para se "adaptar" à realidade do mundo. Mundo esse que é governado por gente eleita com a ajuda de mega empresários que só pensam nos cifrões, e que por isso cobram o "favorzinho" exigindo-lhes condições para lucrar à custa das necessidades e da degradação das pessoas. O Estado, que se assume como uma empresa, e uma empresa que até pode lucrar qualquer coisinha (para pagar favores e satisfazer sonhos pessoais) segue então o exemplo: afinal, funciona tão bem.
E lançam campanhas de desvalorização total do serviço público e de todos aqueles que o tornam possível. Assim, um hospital público passa a ter uma importância mínima, pois os privados têm melhores funcionários e esteticamente fazem-no sentir-se um CSI sofisticado; quem serve o quê a quem, não interessa. Se se convencer as pessoas que o público é mau, então, abre-se o mercado para os privados - e esses serviços já são propagandeados como excelentes. Escolas públicas são vistas como péssimas e as privadas excelentes. O serviço de atendimento de um banco é sempre compreensível (não obstante o horário de abertura, a incapacidade para resolver situações para lá do curriqueiro, o enganar e impingir mensalmente sistemas de crédito para tudo, os telefonemas repetitivos para inquéritos de satisfação e...venda de sistemas de crédito). Tudo isso é aceitável. Mas ir à loja do cidadão, onde estão milhares de pessoas para 3 funcionários - que como é óbvio não conseguem despachar todos com a mesma rapidez de um banco que atende meia dúzia de gente por hora - isso é tudo culpa do funcionário que lá está. Porque, claro, o funcionário público passou a ser o incompetente de primeira apanha.
Já não interessa a abissal diferença de preços (que o Estado vai tentando nivelar...desta vez, claro, por cima com taxas moderadoras, pagamentos extra, etc...). Não interessa se paga um balúrdio por um raio X no privado, ou se faz análises de sangue e raio X num hospital público por um décimo do preço. Não interessa, porque hoje em dia, pode não ter o que comer, mas é essencial dar ares de que dinheiro não é problema (misturar-se com a ralé na fila de espera é que não).
O marketing funciona. Um desgraçado qualquer que entre numa empresa privada - hospital, escola, banco, notário...- é levado a sentir-se como um rei. Podemos sugerir a um médico do privado que nos opere o cérebro para acabar com uma enxaqueca, e receber a concórdia do sotor, mesmo que venhamos a sofrer depois de um vazio crónico na caixa craniana. Só discordam destas intervenções se forem muito arriscadas - não para nós, mas para a instituição (caso possamos morrer durante a operação e a família difamar a clínica).
Enquanto pinga o dinheirinho na conta bancária, o banco preocupa-se consigo - telefona, "oferece" cartões de crédito...Se este pára, até deixa de receber o extracto (acompanhado de publicidade a crédito). A taxa também não desce quando estamos mal de finanças. Ganhemos muito ou pouco, taxa é taxa, selo é selo, imposto é imposto.
A escola privada é sempre excelente. Exigência, rigor e castidade são valores implementados e a serem respeitados pelos clientes-pais. Mas isto não invalida que o filho do all mighty sotor tenha o curso assegurado, mesmo que seja o pior aluno de todos os tempos ou tenha feito o exame final por fax. Fica sempre bem dizer que filho de tal estudou ali - torna a coisa credível. Já as públicas...um nojo que misturam gente de diferentes credos e culturas, que procuram assegurar que a educação e a possibilidade de se mover na pirâmide social (cada vez mais rectangular no topo) seja para todos.
As empresas privadas, por regra, também não dão formação aos funcionários, também não têm critérios de selecção que assegurem a competência do fulano. Querem sempre o desgraçado mais desgraçado que se sujeite por ignorância ou impotência às regras sujas do jogo. Velhos, novos, licenciados, são postos de parte. Se na entrevista percebem que têm à frente um tipo pensante e conhecedor dos seus direitos mandam-no às urtigas. Os cargos mais jeitosos são entregues aos familiares e amigos, que não passam por provas nem reprovações. É uma total monarquia.
Não interessam os meios que existem num ou noutro lado. Se o sistema não está informatizado, se o departamento não dispõe de um software adequado, se há clips e agrafos que cheguem. Não interessa se o professor do público raciona as fotocópias para dar aos alunos enquanto no privado se imprimem as fotos de família a cores; se os funcionários públicos atendem e servem milhares de pessoas por hora e os do privado dezenas; se o princípio do público é o possível a todos e o privado o impossível a alguns.
Funcionários do público e do privado que não exercem cargos de chefia ou não sejam amigos ou familiares destes, são mal tratados, ponto final. Mas não podem é os do privado achar que porque estão mal, todos têm que estar na mesma condição miserável! Pelo contrário, também estes têm que lutar por melhores condições!!!
Não são os próprios governantes que dizem à boca cheia, que os cargos que eles ocupam devem ser bem remunerados "para captar gente com qualidade", senão ninguém queria ser governante? Mas o que é válido para eles, não é válido para os outros..
Nisto, é-se levado a acreditar que o problema é o funcionário público que não presta e que o serviço público é mau por culpa das regalias (como se um contrato e um salário que chega para mais do que o mínimo fossem regalias) que só fazem o Estado gastar muito dinheiro: claro! Só tem é que o gastar no serviço público que é para isso que pagamos impostos!!!
GREVE COM ELES!!!
(este post fica por todos os que não tenho escrito ultimamente)
Os franceses é que sabem como é! Greve é greve. Greve é a doer. Greve é um direito levado a sério. Não há transportes, ponto final. Gás, electricidade, depois funcionários públicos, professores e estudantes, mais tarde, juntar-se-ão juízes. As coisas param mesmo! E faz estremecer qualquer governo!
Em Portugal, infelizmente, as coisas não se passam da mesma maneira. Por aqui, só uns quantos fazem greve, os outros delegam essa luta para os colegas. O povo reclama, não contra o mal que fazem aos seus conterrâneos, mas sim, contra os grevistas. Para os não-grevistas, a greve prejudica-os e assim é que não pode ser.
Em Portugal, tristemente, fazem-se programas de opinião pública, onde, com todo o descaramento ou estupidez, se pergunta "se concorda com a greve". Pergunta-se ao canalizador se acha bem que os pilotos da TAP façam greve. Ao professor, se concorda com a greve dos electricistas. Ao comercial, se concorda com os motivos da greve dos médicos...e por aí fora. E acham sempre mal. Já em França mostram-se solidários.
Em Portugal, o direito a desvalorizar o trabalho alheio, a debitar opiniões sobre a vida dos outros é levado mais a sério que o direito a protestar pelos direitos sociais dos que sofrem e poderão vir a sofrer.
Em Portugal, porque a greve não tem adesão, diz-se que os sindicatos não têm força. Na verdade, o problema é sempre externo à vontade própria, aos princípios. E se os sindicatos são fracos, os trabalhadores que se unam e lhes mostrem o que querem. E se unam contra o Estado e as empresas que lhes retiram direitos dia após dia.
É certo que não receber o salário de um dia em Portugal, não é o mesmo que em França. Com 500€ (se tanto) perder um dia pode atrapalhar as contas. Mas se o bolso é tão apertado, então que se lute por uma folga maior.
Por cá, a coisa é de tal forma negra que não faz sentido temer os efeitos de uma greve a sério. O que vai perder? O emprego que não está garantido? O emprego que pode perder por ficar doente? A amizade do patrão? Um patrão que o trata como um número? Trocos? Porventura ganha que chegue?
O que temos a perder por parar de vez até nos darem aquilo a que temos direito? E o que podemos ganhar? Direitos. Estabilidade no emprego, um sistema de saúde digno, uma educação de jeito, o bom uso dos impostos, trabalhadores motivados e qualidade nos serviços, melhores salários, menos abuso.
Deixemos andar. Deixemo-nos a sonhar. Acreditar em milagres. Esperança. Fé. Deixemo-los fazer tudo à sua maneira, esperando de braços cruzados, e cá estaremos para dizer aos netos o que lhes reserva o futuro. Eles agradecer-nos-ão.
Tudo o que gostaria de saber sobre a Função Pública
Mas não sabe a quem perguntar...
Numa altura em que a Função Pública é apresentada, anunciada e afamada como o piorzinho que o país - se não o Mundo - poderia alguma vez ter, eis o Blog de Imprensa.
O blog colecciona notícias da imprensa online sobre a Administração Pública, para memória a curto e longo prazo.